QUEBRANDO O SALTO


ADEUS, JUBI!

Esta semana perdi uma amiga. Não falo de uma amiga qualquer, mas da melhor amiga da mulher.

Aqueles que não gostam de cachorro podem até latir em protesto, mas dedicarei as próximas linhas para a Jubi, uma grande Yorkshire. Trinta e cinco centímetros, 3,8 quilos, latido forte e orelhas caídas.

Jubinha era simpática e sociável. Recebia a todos na porta de casa com ar esfuziante, fungadas, latidos, pulos e muito rabo abanado. Só sossegava depois de ganhar um agrado, um reconhecimento, uma atenção.

As coisas da vida que Jujuba mais gostava podiam ser descritas em ABCDE:

- Argola, de borracha, que se tornou a chupeta constante, carregada para cima e para baixo;

- Brinquedo, uma palavra com o mesmo significado de Bolinha, com quem ela adorava brincar;

- Correr, no corredor do apartamento, atrás de seus brinquedos;

- Dormir, de preferência recostada em um humano;

- Edredon, ou qualquer coberta fofinha e macia, onde ela se chafurdava feliz.

Nunca recusou um pratinho de frango com cenoura e tinha mania de limpeza: ao primeiro sinal de sujeira, se plantava na porta do banheiro, à espera de uma alma caridosa que lhe desse um banho.

Jubi era parte da família. Puxou o cabelo louro da minha mãe e os pelos grisalhos do meu pai. Começou como minha irmã mais nova e terminou como a mais velha, já que seus 13 anos caninos equivaleriam a 90 anos humanos.

Quando alcei voo solo, a deliberação familiar foi clara: “Só uma das duas sai de casa.” Jubilú ficou com meus pais, com meu edredon e com todo franguinho com cenoura que minha mãe carinhosamente pudesse cozinhar. Ela foi a maior companheira dos meus pais desde então.

Depois de algum tempo, Jubi passou a me receber menos como família e mais como visita. Confesso que me senti um tanto rejeitada e fiquei até com ciúmes. Mas sua atitude carinhosa redimiu qualquer rancor.

Nunca soube ao certo se Jujuba era feliz e realizada como cachorro, mas ela sabia direitinho o dia em que eu não me sentia lá muito gente. Então, pulava no meu colo, se aninhava e ficava quieta, só no aconchego. Por vezes dormia, roncava e soltava puns silenciosos e possantes.

Assim como eu, Jubi não gostava de despedidas. Preferia todos por perto, a família reunida, como no almoço de domingo. Neste fim de semana, porém, não precisarei dividir meu frango com cenoura. Mas bem que eu gostaria.

 

    Maria Rita Barbi ficou triste pra cachorro e escreve no “Quebrando o Salto” às sextas-feiras.



Escrito por Maria Rita Barbi às 15h26
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